O mundo é dos incompetentes, de Brendan Reid

O mundo é dos incompetentes_CAPA_FINAL.inddA princípio, “O mundo é dos incompetentes – 7 estratégias para acelerar a sua chegada ao topo” (Benvirá, 208 págs., R$ 32,50, trad. Arlete Simille Marques), do canadense Brendan Reid, pode parecer mais um daqueles livros que dizem trazer uma fórmula mágica para o sucesso. Bem, na verdade, é mesmo. Mas não apenas. É também uma espécie de manual de erros a serem evitados. Talvez esse seja o ponto mais forte do livro: mostrar quais são os comportamentos que levam à estagnação da carreira e como evitá-los.

O livro parte do princípio de que nem todos os executivos bem-sucedidos são competentes – assim como nem todos executivos competentes são bem-sucedidos, coisas que muita gente já sabe. Na introdução, Reid afirma que cerca de 50% dos executivos bem colocados nas empresas são mesmo incompetentes. O que pouca gente sabe é que é importante estudar esses incompetentes bem-sucedidos – e, mais do que isso, aprender com eles.

Foi assim que nasceu a ideia do livro. Reid afirma que via seus colegas com menos inteligência, determinação e paixão serem promovidos, enquanto ele continuava na mesma posição. Reid passou, então, a observar melhor aqueles que eram promovidos, e descobriu que, muitas vezes, essas três qualidades que ele possuía não eram o suficiente. Fazia-se necessário colocar em prática algumas “artimanhas”, digamos assim, para conquistar as tão almejadas promoções. São as tais “7 estratégias” do título:

1) Nunca seja passional com suas ideias; 2) Abrace as mudanças que são odiadas por todos; 3) Aprenda a promover seus projetos; 4) Evite a farsa da orientação para resultados; 5) Não faça parte do rebanho; 6) Procure grandes problemas para resolver; 7) Não responsabilize os outros.

Particularmente – e provavelmente por não trabalhar no meio corporativo –, considero as duas primeiras as mais relevantes. Nossas paixões podem nos fazer ignorar o óbvio e nos prejudicar profissionalmente. É importante, portanto, ficar atento, para que elas não turvem o nosso bom senso. Não significa deixar de ser apaixonado por alguma ideia ou propósito, mas de não permitir que a emoção se sobreponha à razão.

A questão das mudanças é, talvez, o problema mais enfrentado pelos profissionais das mais diversas áreas. Como o mercado tem se tornado cada vez mais dinâmico e competitivo, as empresas têm mudado de postura e cultura com maior frequência. Além disso, não é raro nos depararmos com novos chefes ou mudanças de setor. Reid nos leva a concluir, com bons argumentos e exemplos baseados em suas próprias vivências ou testemunhos, que muitas vezes é melhor resignar-se e aceitar as mudanças do que lutar contra elas.

Lançado no Brasil sem estardalhaço, “O mundo dos incompetentes” (“Stealing the corner office”, no original) conquistou uma boa reputação no Canadá e nos Estados Unidos. E não poderia ser diferente. Com uma linguagem simples, objetiva e muitas vezes bem-humorada Reid elenca estratégias valiosas – apesar de não serem uma fórmula mágica – e conselhos preciosos. Em alguns momentos pode-se discordar do autor, é verdade, mas isso faz o leitor pensar e questionar sobre si mesmo. E esse é o primeiro passo para a mudança.

Para a boa mudança, é claro.

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