Desgracida, de Dalton Trevisan

Para Vicente Escudero

DesgracidaPublicado em 2010, “Desgracida”, de Dalton Trevisan, foi o vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas, no ano seguinte. Dias atrás, dediquei-me a lê-lo, na esperança de finalmente entender por que Dalton é tão adorado.

Digo “finalmente entender” porque não seria a primeira vez que me arriscaria na prosa trevisaniana. Antes, já havia tentado ler – não uma ou duas, mas três vezes – “Macho não ganha flor” (2006), e folheado “O anão e a ninfeta” (2011), com a ideia de comprá-lo. Ao ler alguns contos e o começo de outros, desisti.

Decidido a tentar mais uma vez, crente que o problema estava em mim, decidi encomendar tempos atrás “Desgracida”. Dessa forma, não teria como folheá-lo e desistir da compra. A compra já estaria feita, e só me restaria ler o livro. Ou ao menos tentar.

E li, como está escrito no primeiro parágrafo. Mas foi como se não tivesse lido. Ou melhor: antes não o tivesse feito.

Uma reunião de contos curtos do Vampiro de Curitiba, “Desgracida” traz também alguns poemas e haicais, além de cartas que ele enviou para Otto Lara Resende, Rubem Braga, Pedro Nava e outros destinatários não identificados. Se não fossem tão poucas, as cartas salvariam o livro.

Os contos, gênero predominante em “Desgracida”, mais parecem anedotas. Não consegui encontrar sentido em nenhum deles, nem mesmo nas histórias um pouco mais longas. Os textos reunidos são, no máximo, engraçadinhos.

Por serem muito curtas, não há tempo de um personagem ser minimamente construído, caracterizado. Não há espaço para isso em micro e minicontos, você me diz. Mas dentro de um micro ou miniconto há muito espaço para deixar algo não dito. O escritor pode, com poucas palavras, criar uma atmosfera, criar várias camadas dentro de uma pequenina história. Mas não é o caso das “ministórias” – nome que batiza os textos do livro – de Dalton.

E, mesmo assim, “Desgracida” venceu, em sua categoria, o Prêmio Jabuti de 2011.

Desconfio que o problema esteja em mim. Talvez a prosa de Trevisan seja tão boa que fuja à minha modesta capacidade de compreensão. Mas fico me perguntando se o prêmio não teria sido destinado a Dalton apenas por ele ser quem é.

Em todo caso, não desisti de Dalton ainda. Caso alguém tenha dicas de livros dele, podem mandar para cá, que daqui a algum tempo pretendo tentar lê-lo de novo.

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